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Tese do PPGEOG/UFAM que mapeou as liturgias urbanas de Manaus é agraciada com Menção Honrosa no Prêmio CAPES de Tese

  • Publicado: Terça, 08 de Setembro de 2026, 16h02
  • Última atualização em Terça, 08 de Setembro de 2026, 16h10

A ciência geográfica brasileira reconheceu a originalidade de um olhar profundo sobre a urbanização amazônica. O resultado preliminar da premiação reconheceu, com menção honrosa, a pesquisa "A liturgia da cidade: espaços e tempos de um calendário litúrgico de Manaus", de Diego Oliveira Montenegro, na área de avaliação de Geografia.

Legenda: #paratodosverem – À esquerda, Diego Montenegro defende sua tese de doutorado no PPGEOG/UFAM. À esquerda, o autor e sua orientadora recebem o Prêmio José Aldemir de Oliveira de melhor tese da linha de pesquisa “Espaço, Território e Cultura na Amazônia, do PPGEOG.

Desenvolvida sob orientação da Profa. Dra. Amélia Regina Batista Nogueira, a obra rompe com a visão limitante de que a urbe é apenas produto de sistemas econômicos abstratos, reposicionando o foco na agência humana e no sentido simbólico do espaço. Para Montenegro, o prêmio chancela a consolidação acadêmica dessa vertente: "É um reconhecimento importante para mim, pelo meu trabalho árduo, e também pelo apoio da minha orientadora, a professora doutora Amélia, a quem reputo o pioneirismo nessa abordagem humanista aqui em Manaus. Claro que pessoalmente isso é uma alegria, contudo, penso que extrapolando a realização pessoal e profissional, juntos - professora Amélia e eu - estamos fixando esse marco simbólico. Com um prêmio dessa relevância mostramos que tratar a Geografia, os sujeitos e a cidade de forma humanista não precisa ser uma postura “outsider”, mas pode ser um olhar mais comum nosso para nossa cidade dentro da academia".

Legenda: #paratodosverem – Representação simbólica de como a cidade se ergue de suas raízes fluviais na “Beira” em direção à verticalidade e às aspirações mercadológicas da “Metrópole”.

A originalidade teórica da tese repousa, portanto, na recusa de enxergar a metrópole estritamente de cima para baixo. A professora Amélia Nogueira demarca o ineditismo alcançado no estudo: "Trabalhamos na perspectiva da Geografia Humanista Cultural, em que as geograficidades dos sujeitos com seus lugares, paisagens, territórios são reconhecidos a partir dos sujeitos que os vivem. No caso da pesquisa do Diego, procuramos compreender Manaus, ouvindo as pessoas que tem envolvimento existencial com os seus lugares na cidade. Nessa dinâmica existem diferentes liturgias. Essas discussões levam a compreensão de uma cidade cheia de significados. Não é comum a Geografia estudar a cidade a partir das relações de existência entre as pessoas e seus lugares, esse é um diferencial no trabalho do Diego".

Legenda: #paratodosverem – Cartografizando as experiências - Mapa mental elaborado por uma comerciante local ilustra de forma profunda como o espaço físico é decodificado, apropriado e vivido de maneira afetiva e topofílica pelos sujeitos da cidade.

Partindo de sua própria vivência empírica como manauara, o pesquisador se debruçou sobre as transformações estruturais da capital. A pesquisa postula a presença de um citadino que não apenas transita pelo espaço, mas que o constrói culturalmente através do cultivo e do culto em suas práticas diárias. "O objetivo da tese é demonstrar que a cidade de Manaus é construída e movida por meio de um fenômeno que eu chamo de “liturgias urbanas”. A partir daí eu busquei demonstrar os fundamentos e as características dos ritos litúrgicos que têm construído a cidade e seus sujeitos e, com isso, resultando em uma paleta de hábitos litúrgicos na cidade que eu chamo de “calendário litúrgico”. Eu diria que, em suma, meu objetivo foi demonstrar a natureza profunda, controversa e encarnada pela qual nossa cidade tem se construído nas últimas décadas e isso por meio dessas liturgias", explicou o autor.

Para mapear e comprovar tal fenômeno, as abstrações cederam lugar à vivência territorial. O pesquisador elucida a espinha dorsal do seu desenho metodológico: "Por isso, trabalhamos com duas categorias caríssimas para a ciência geográfica que são Paisagem e Lugar e, a partir daí, fizemos uma série de abordagens a pessoas em várias localizações da cidade como o Mercado Adolpho Lisboa, o Centro Comercial como na Rua Dr. Moreira, por exemplo - vários pontos do Distrito Industrial, do centro de serviços nas imediações da Avenida Djalma Batista e outros pontos ainda. O conjunto desses princípios metodológicos e desses procedimentos caracteriza a pesquisa como uma tese de Geografia Urbana, Cultural, Humanista, Fenomenológica, enfim, de Geografia Humana".

Legenda: #paratodosverem – Calendário Litúrgico de Manaus.

O grande corolário da pesquisa é a representação visual e geográfica do Calendário Litúrgico de Manaus. Longe de ser uma mera contagem de tempo, trata-se de um mapa representativo das práticas socioespaciais. "Eu diria que a tese entrega uma espécie de guia para entender Manaus como uma história contada por meio dos lugares e dos hábitos enquanto ritos que caminham em procissão da beira do rio para o centrão, de lá para o distrito, de lá pra Djalma Batista, para os rincões da cidade etc.", concluiu Diego.

Confira a tese de Diego Montenegro clicando neste link.

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